quinta-feira, 21 de novembro de 2013


BRINCANDO COM O PORCO

Numa de minhas viagens ao interior, para visitar familiares, tive uma idéia inusitada. Eu tinha 8 anos de idade.

Era fim de ano e meu tio estava engordando um porco. O bicho estava enorme, um macho arredio, que transitava pelo sítio livremente.

Na época, me lembro de observá-lo com grande interesse e curiosidade: aquela criatura roliça, imensa e rosada.

De certa forma, me sentia frustrada pois conseguia chamar a atenção dos outros animais (galinhas, cães, cavalos, vacas, entre outros), mas o tal porco não dava bola para nada e para ninguém, em seu andar soberano e rebolativo.

Por muito tempo fiquei filosofando sobre formas de chamar sua atenção, de brincar com ele, mas sem sucesso.

Numa tarde, ele passou por mim com seu desprezo habitual e eu tive o que parecia ser uma grande idéia: se ele não me dava atenção sendo eu boazinha, talvez se eu o irritasse desse certo.

Ele seguiu em direção ao pomar e eu o segui. Passei por minha tia que lavava louça no rio. Ela observou a cena de sua sobrinha seguindo o porco e perguntou o que eu estava fazendo, ao que eu respondi: “vamos brincar de pega-pega.”Percebi sua descrença, mas não me importei.

O porco estava comendo pêssegos caídos no chão, no meio do pomar. Me aproximei silenciosamente e apliquei nele o que conheço porpularmente como “sardinha”. Com os dedos indicador e médio em riste bati em sua retaguarda.

Não consigo expressar o ódio que vi em seus olhos quando ele me encarou. E não da para descrever seu guincho alto e agudo. Saí correndo desesperadamente com ele em meu encalço.

Passei por tia no trajeto, que continuava no rio, e tive a satisfação de ver seu espanto incrédulo ao perceber que o porco corria atrás de mim como se brincássemos de pega-pega.

Consegui entrar na casa e fechar a porta. O porco bateu na porta com força e gritou por algum tempo. Ao cabo de uma meia hora desistiu. Mais tarde saí e ele pareceu nem se lembrar do episódio, me ignorando completamente.

Foi uma aventura perigosa. E nunca expliquei a ninguém como brincar de pega-pega com um porco.

Fabiana

Jaguariúna, 16/11/2013.

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